A influência da meteorologia em nosso dia a dia

Por Redação | Foto Shutterstock

Já é sabido quanto a Meteorologia influencia a vida dos brasileiros e com a saúde humana não é diferente. Inúmeros casos podem ser apontados nos quais fenômenos meteorológicos, como ondas de calor ou de frio, precipitação intensa, temporais de vento, entre outros, afetam a saúde de populações desde o início da vida do planeta.

Segundo Juliana Hermsdorff Vellozo de Freitas, meteorologista da Squitter Soluções em Monitoramento Ambiental, atualmente, são muitas variáveis meteorológicas que podem, diretamente ou indiretamente, trazer benefícios ou malefícios à nossa saúde. “A radiação ultravioleta, por exemplo, proveniente do Sol, bronzeia, mas gera queimaduras e envelhecimento precoce sem a proteção adequada. Outro exemplo que podemos citar são as diferentes concentrações de poluentes na atmosfera, associados às altas temperaturas, que influenciam a qualidade do ar que respiramos”, explica Juliana.

Agentes

Outros fatores influenciadores são as ondas de calor constantes, que podem ocasionar maior proliferação de insetos transmissores de doenças, segundo O Atlas da Saúde e do Clima, divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), e elas também afetam principalmente pessoas idosas, cujo aumento, neste século, é inerente com o aumento da qualidade de vida. E ainda a própria precipitação, que culmina em enchentes em determinadas regiões e favorece o aparecimento de epidemias, pois agentes etiológicos podem ser transportados pelas águas.

“No nosso dia a dia, um exemplo claro de variável que nos afeta é a umidade relativa do ar. De acordo com a OMS, valores de umidade abaixo de 30% já oferecem risco à saúde, como sangramento nasal e agravamento de doenças respiratórias. Já no caso de dias quentes e com alta umidade relativa do ar, a sensação térmica pode ser 10°C acima do registro da temperatura máxima do dia. Isso causa desconforto térmico em seres humanos e pode ocasionar tonturas e até desmaios”, completa Juliana.

Ainda segundo a profissional, o interessante, nestes casos, seria ter em casas, escolas e faculdades sensores que medissem a umidade do ar e a temperatura no local. A emissão de avisos e divulgação de cuidados a serem tomados, com a verificação de alcance de determinados valores dessas variáveis, anteciparia possíveis indisposições do corpo humano.

Saúde e trabalho

A influência da Meteorologia também pode ser vista em um período mais longo. Verões mais secos ou invernos mais rígidos, dependendo do local, deixam a população mais suscetível ou não a doenças e alergias. Segundo a publicação da OMS, uma série de problemas de saúde é gerada pelas mudanças no clima.

“A própria questão da água, essencial à vida, afeta a saúde humana. Durante períodos de seca, rios que abasteciam plantações e garantiam maior variedade de alimento têm seu nível alterado. O próprio agricultor ou qualquer pessoa interessada pode usar sensores de nível para acompanhar e se planejar diante dessa variação, tanto nos rios como também em poços e canais”, finaliza Juliana.

Logo, é importante conhecer de que modo o tempo e o clima interagem com a saúde. Eventos climáticos extremos, como aqueles associados aos fenômenos La Niña e El Niño, ou mesmo uma tarde mais úmida, pode desencadear enfermidades. Utilizar medidas, registros e estudos na redução da vulnerabilidade e na identificação do risco de forma rápida, quando possível, com certeza permitirá um melhor entendimento da nossa relação com a natureza e, assim, uma melhor qualidade de vida.

Construções

O grande número de construções nas cidades traz à tona a questão do conforto térmico no âmbito arquitetônico, sendo este entendido como tudo o que proporciona bem-estar e produtividade à saúde física e à saúde mental.

O papel da Meteorologia nas construções se faz claro, quando levamos em conta esse quesito. Para entendermos como as construções nos influenciam, torna-se necessário conhecer os fatores externos que afetam a região em que essas edificações estão estabelecidas, que são condições naturais, como ventos, temperatura, pressão, precipitação, entre outras.

Por exemplo, a ventilação dos locais habitados é necessária para a manutenção das condições de higiene, para proporcionar conforto térmico nos meses de verão e para resfriar os espaços internos do edifício, por meio das trocas térmicas entre o ar e as paredes. Assim, a circulação de ar é influenciada por fatores externos, como a posição de edifícios e de espaços abertos vizinhos; a localização e a orientação da edificação; características do vento na região; diferença de temperatura interna e externa, tamanho e tipo das aberturas por onde o vento entra e sai da edificação.

Nas construções que não contam com ar-condicionado, o conforto térmico pode se dar pelo aproveitamento das brisas. Nos prédios com sistema de ventilação cruzada, o ar frio entrará pelas aberturas baixas, empurrando o ar quente para as saídas na parte mais alta. A abertura de entrada das janelas e portas deve ser o mais frontal possível ao vento, para o seu maior aproveitamento.

Revista Geografia | Ed. 67