Inovação pode tirar o Brasil da crise econômica

Texto Arão Sapiro* | Foto Shutterstock

Durante crises e recessões, como a que passamos no momento, os cenários são caracterizados por grandes incertezas sobre a direção das mudanças tecnológicas, condições de demanda e novas oportunidades de mercado. Como resultado, a vontade das empresas de arriscar com investimentos em inovação se reduz drasticamente. Entretanto, ao mesmo tempo, uma crise econômica gera um verdadeiro terremoto em setores estabelecidos com a emergência de novas empresas em novos setores, desempenhando um papel relativamente maior do que as empresas tradicionais, promovendo uma “Destruição Criativa” em que novos produtos destroem empresas velhas e antigos modelos de negócios. Como Joseph A. Schumpeter sugeriu no seu tempo: “Não serão os cocheiros que construirão ferrovias”.

Já as empresas estabelecidas, se forem dinâmicas, percebem que não sobreviverão sem alterar seus produtos e serviços, investindo na geração e na atualização de novos conhecimentos, independentemente do ciclo de negócios e promovendo o que é chamado de “Inovação Cumulativa”. Ou seja, o resultado prático que deverá ser observado nos próximos tempos no Brasil será positivo. O que mudará será o tipo de inovação que beneficiará a sociedade. Novas empresas estarão ansiosas para explorar novas oportunidades tecnológicas, também como uma forma de desafiar as empresas estabelecidas, que, por seu turno, realizarão inovações ao longo de trajetórias tecnológicas conservadoras e investirão, até para evitar o sucesso de novos empreendedores entrantes. O pessimismo e a inação não serão opções competitivas nessa hora.

*Mestre em Administração de Empresas pela FGV-SP e professor do Mackenzie

Revista Geografia | Ed. 64