Especialista afirma que é preciso mudar hábitos para reverter mudança climática

Texto Redação | Foto Shutterstock

Especialistas afirmam que temos pouco tempo para mudar hábitos e tentar reverter o quadro da mudança climática. Em 2013, a Academia Nacional de Ciências publicou um estudo que explica por que muitas cidades ficarão isoladas em algum grau de submersão, em razão do aumento no nível do mar. Em contrapartida, também temos estimativas de que, até 2020, todos os cantos do planeta já terão sofrido com essas transformações. No último dia 8 de dezembro de 2015, o El País publicou uma matéria sobre a Cúpula do Clima de Paris, informando que estaríamos próximos da última chance de reverter a mudança climática. Para o professor de Química da Universidade Presbiteriana Mackenzie Rogério Aparecido Machado, essa não é necessariamente a última oportunidade, mas ele afirma que o tempo está se esgotando, e a população está muito atrasada no processo de reversão ou estagnação da transformação que está em curso.

FATORES
A Terra está mais quente por vários fatores. Pode-se começar pela falta de sensibilidade na derrubada de florestas que comandam o ciclo hidrológico, no qual as chuvas seguem um padrão, e a evaporação é fundamental. Outro ponto é o fato de que, com o desmatamento, o caminho dos ventos é outro, não acumulando a água que se tornaria chuva. Por fim, o ar poluído com gás carbônico e metano dificulta a saída do calor da Terra, fazendo com que ela fique aquecida. Para o professor Machado, não adianta querer diminuir esses gases sem enfrentar a realidade. “O mundo em que vivemos é a sociedade do petróleo e este não está perto do fim. Temos ainda, no mínimo, um século de consumo desse combustível. Esse fator torna as mudanças de padrão de consumo mais complicadas para países como EUA, China, Japão ou Rússia. Outro agravante é que esse óleo não é usado apenas como combustível, mas também é a matéria-prima direta ou indireta de alimentos e bens de consumo. Ele está presente nas embalagens, no transporte ou onde menos esperamos. Essa é a nossa maior dependência; precisamos refletir e começar a mudar muito mais, além de apenas parar de usar gasolina ou diesel”, afirma.  Segundo Machado, essa não é a última chance do planeta, mas é preciso pensar de forma muito científica para não apenas dar um remédio à natureza, pois ela precisa que seu verdadeiro problema seja resolvido: a sociedade baseada no consumo de barril de petróleo por inteiro.

Fonte: Rogério Aparecido Machado é doutor em Saúde Pública pela USP e mestre em Saneamento Ambiental pelo Mackenzie

Revista Geografia | Ed. 65