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Uma ponte entre o Mercosul e a União Europeia


As pess oas podem estar se perguntando como seria possível uma ponte unindo dois continentes? Neste mundo globalizado e que tem passa do por tantas transformações, quas e nada é impossível.


Por Irene Conte

Divulgação / Ricardo Stuckert/PR

DOM
Os DOM (Départements D'outre-Mer) são os departamentos que se distanciam "além mar" do território da França, porém seguem as regras francesas e da União Européia. Têm nome de departamentos assim como o são os metropolitanos europeus. São quatro: o de GUADALUPE e MARTINIC A (ambos no Caribe); o de RE UNIÓN (a leste de Madagascar no Oceano Índico) e o da GUIANA FRANCE SA (ao norte da América do Sul).

No último século a Geografia foi reescrita com a formação do bloco da União Europeia. Suas fronteiras se reeditaram ou, de uma maneira um pouco simplista, quase desapareceram.

Uma ponte transforma, por si só, espaços e fronteiras, facilitando a mobilização de pessoas e mercadorias e gerando desenvolvimento regional. E, agora, está próximo o momento de união entre o Mercosul e a União Europeia.

Papillon
Livro baseado na história real de Henri Charrière, que foi condenado injustamente à prisão perpétua, acusado de assassinato, e foi levado para prisão na Guiana Francesa, próxima à Ilha do Diabo. O livro, assim como o filme produzido em Hollywood, leva o nome de seu apelido (papillon em francês é borboleta, inseto que ele tinha tatuado no peito). Diz a estória que ele, quando na solitária, se alimentava de insetos. O filme, de 1973, teve a atuação de grandes atores norte-americanos, como Dustin Hoffman e Steve McQueen.

O Brasil e a França assinaram, em 2001, um acordo que prevê a construção de uma ponte sobre o Rio Oiapoque. Este rio configura-se, atualmente, como a maior fronteira que a França tem com outro país, por meio da Guiana Francesa: o Brasil. São 370 km de águas navegáveis que separam "os dois continentes". O então presidente Fernando Henrique Cardoso e o então primeiro-ministro francês Jacques Chirac, após assinarem acordos bilaterais visando, por exemplo, à proteção da Amazônia (1996), além de outros assuntos, acordaram sobre a referida ponte entre a Guiana Francesa e o Amapá.

Prostituição Infantil
O filme "Anjos do Sol" resultou de uma pesquisa de nove anos, durante os quais o diretor Rudi Lagemann conheceu casos reais de exploração sexual de crianças e adolescentes no Brasil. Bem amarrado, o roteiro do longa metragem primou pela bela fotografia e pela sensibilidade que marca as personagens mirins deste drama. Com Antônio Calloni, Bianca Comparato, Chico Diaz, Fernanda Carvalho, Otávio Augusto, Mary Sheyla, Maurício Gonçalves e Vera Holtz.

A França fora da Europa
A Guiana Francesa é um dos quatro DOM

(Departament D´Otre Mer, ou, em português, Departamento Ultramarino) pertencentes à França, ou seja, são territórios franceses, administrados pela matriz, regidos pela mesma Constituição e também com a mesma moeda, o Euro. Portanto pode-se dizer que a Guiana Francesa é a França na América do Sul. Uma "França" que tem uma longa história de pobreza, resultado da "colonização" deste território, feita por presos franceses da famosa prisão Papillon

, que acreditou que um dia seria um país livre de Paris. Apesar de rica em ouro, a Guiana Francesa nunca usufruiu dos benefícios deste metal precioso.

Hoje, com a implantação do Euro e dos direitos garantidos pela Constituição da França, a população da Guiana Francesa se permite ter melhores condições de vida, como também de trabalho, para todos os nativos ou franceses que lá residam. A extensão do braço europeu na América possibilitou o crescimento econômico com um desenvolvimento nunca antes visto naquele território.

Porto de Santana, em Macapá, Amapá

Em contrapartida, o Amapá, do outro lado do rio, estado pertencente ao Brasil, é uma região em que impera o coronelismo, impregnado historicamente nas regiões Norte e Nordeste. E, em consequência disso, grande parte da sua população se encontra em estado de pobreza. Embora o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do Estado seja de 0,780 (considerado médio-alto para os padrões brasileiros e o mais elevado da região Norte; o IDH do País é de 0,807, segundo dados do PNUD de 2008), o Amapá possui carências críticas. Isto faz com que o trânsito de brasileiros para a Guiana Francesa (IDH de 0,862) seja grande.

A seguir, uma série de motivos e fatos reais que demonstram as condições vividas pelos amapaenses. Tais problemas acentuam a vontade destes brasileiros de atravessar o Oiapoque e chegar até a "França sul-americana".

João Capiberibe
Nascido na Ilha de Marajó, foi prefeito de Macapá entre 1989 e 1992, governador do Amapá entre 1995 a 2002, quando aboliu a aposentadoria dos ex-governadores do estado e implementou um programa voltado ao desenvolvimento sustentável na Amazônia, o PDSA. Político de visão idealista e humanitária, dentre os muitos projetos na área social, desenvolveu, na fronteira com a Guiana Francesa, a possibilidade de que as crianças das comunidades locais aprendessem na escola, além do português, o francês, devido ao contato próximo entre as comunidades indígenas locais. Como consequência, nas duas gestões, a interação e a integração entre as populações ribeirinhas foram fantásticas e houve grande dinamização de suas culturas. Era um homem muito querido pela população. Acusado de compra de dois votos, de duas mulheres, quando candidato ao Senado (2002), teve seu mandato cassado e foi isolado da política. Absolvido pelo TSE do Amapá, perdeu no TRE. Tentou se eleger governador em 2006, mas perdeu para Wadez Góes.

Problemas ao Norte
Como descrito pelo jornalista Gilberto Dimenstein em seu livro "Meninas da Noite", prostituição infantil é um problema sério na região do Amapá, a ser enfrentado e resolvido pelas autoridades do país. O combate ao tráfico de mulheres, tanto internamente como internacionalmente, vem sendo cobrado inclusive por governos de outros países. Mulheres atravessam o rio Oiapoque para se prostituir com os homens nas minas de ouro da Guiana Francesa.

Os governos brasileiro e francês, frente à insalubridade local e à prostituição, assinaram acordos de controle de DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis), em 2003, como medida de tentar prevenir uma proliferação de doenças que resultariam em gastos para o Estado.

Estratégias por trás da ponte
Alguns pontos importantes devem ser salientados aqui, sob o ponto de vista da análise geopolítica desses dois territórios e dos interesses na construção dessa ponte. São eles: o porto de Santana, em Macapá, a estrada BR-156, que vai de Macapá até o Oiapoque, o rio Oiapoque, CSG (centro espacial francês localizado em Kourou próximo à Caiena e que também é onde outros países da União Europeia fazem suas pesquisas espaciais), a estrada Transamazonina e a questão da imigração (que na maioria das vezes é ilegal).

O porto de Santana, em Macapá, pode receber navios de grande porte, o que não acontece com o de Caiena, devido ao calado (terreno do fundo do mar) ser muito arenoso na sua formação e, consequentemente muito raso, segundo Henrique Wiederspahn, piloto náutico de embarcações da marinha mercante.

É muito utilizado pelos franceses, pois muita carga específica chega em contêineres para ser levada para Kourou, onde está o CSG. Estrategicamente, este porto é fundamental para os franceses. O que dificulta o transporte dessas mercadorias até que cheguem em segurança a seus destinos são a distância do porto até a Guiana Francesa e o problema de logística das estradas da região.

 Meninas da Noite: A prostituição de meninasescravas no Brasil. Gilberto Dimenstein. Ed. Ática, 168 páginas.1997.

Em função do abandono dos órgãos públicos, as estradas amapaenses estão intransitáveis, com o agravante do intenso regime de chuvas da região. Mal asfaltadas, praticamente se decompõem com as águas. A BR-156, que vai de Vitória do Jari (na fronteira sul do Estado, quase no Pará) até Oiapoque (o ponto mais ao norte do País), é fundamental para a região como um todo. Entretanto, para os franceses, é a saída lógica para o transporte por terra de suas mercadorias até Kourou/Caiena. De acordo com o Ministério dos Transportes, faltam poucos quilômetros para sua finalização. Quando estiver concluída, serão quase 900 km de estradas, que cortam o estado de Sul a Norte (fonte: Ministério dos Transportes).

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