Opinião: a bioenergia deve ser sustentável

Promulgação da lei que aumenta o percentual de biodiesel no óleo é um fato positivo que deve ser comemorado

Por Reinaldo Dias* | Foto Shutterstock

A publicação da Lei no 13.263, no dia 24 de março de 2016, que altera os percentuais de adição de biodiesel ao óleo diesel comercializado no Brasil, pode ser considerada um passo importante para o avanço das políticas públicas relacionadas aos biocombustíveis. Ela estabelece a obrigatoriedade de adição de biodiesel com aumento gradativo preestabelecido no texto legal. Serão adicionados 8% nos primeiros 12 meses após a publicação da lei, passando a 9% após 24 meses e 10% após 36 meses.

A lei prevê ainda que, decorridos os 36 meses e verificada a sua performance nos motores, será autorizada uma nova elevação da adição para até 15%, prevendo-se um percentual superior a este em alguns casos, como o transporte público e ferroviário entre outros.

Processo

A promulgação dessa lei é um fato positivo que deve ser comemorado, pois a tendência global é de um aumento da utilização dos biocombustíveis, e o Brasil tem uma grande oportunidade de desenvolver um processo de produção, comercialização e utilização dessa bioenergia de forma sustentável.

Os biocombustíveis são uma forma de bioenergia, uma das mais importantes, e é inegável a sua condição de fonte de energia renovável e sua contribuição nas crescentes demandas energéticas do mundo. Entretanto, programas de bioenergia mal geridos têm gerado conflitos com o uso da terra e a redução da biodiversidade, prejudicando o abastecimento de alimentos, afrontado direitos humanos e afetado a economia local.

O biocombustível não pode ser considerado sustentável, se ele é cultivado em áreas com uma elevada capacidade de absorção e armazenamento de carbono, como florestas, áreas que são importantes fontes de cultura alimentar para as populações locais, ou regiões que são ecologicamente importantes.

Logo, embora seja uma energia renovável, nem toda bioenergia pode ser considerada sustentável.

Bioenergia

Levando em consideração os problemas da cadeia de valor da bioenergia e a dificuldade de sua avaliação quanto aos seus impactos socioambientais, foi criada, no ano passado, pela Organização de Padronização Internacional (International Standard Organization – ISO), a Norma ISO 13065:2015 desenvolvida com estrutura básica unificada e harmonizada para avaliar a sustentabilidade da bioenergia.

Esse novo padrão prevê para toda a cadeia de valor da bioenergia, a conservação da biodiversidade, a observância dos princípios da Declaração Universal dos Direitos Humanos, a sua viabilidade econômica e social, a utilização racional da terra e dos recursos naturais e a redução dos Gases do Efeito Estufa (GEE), quando comparado com os combustíveis fósseis.

Princípios

Para o setor de biocombustíveis se desenvolver de forma adequada e sustentável, é importante adotar os princípios dessa nova norma, pois é previsível, em um futuro próximo, o aumento das pressões da sociedade e do rigor da legislação para adoção de critérios de sustentabilidade cada vez mais rigorosos em toda a cadeia de valor

*Reinaldo Dias é doutor em Ciências Sociais, mestre em Ciência Política, especialista em Ciências Ambientais e professor do Mackenzie.

Revista Geografia | Ed. 67