Pesquisas alertam para aumento preocupante no número de obesidade

Estudo também aponta para alta incidência de casos de morte súbita no Brasil

Por Edgar Melo | Foto Shutterstock

Segundo uma pesquisa publicada no ­periódico médico The Lancet, que envolveu a Organização Mundial de Saúde (OMS) e mais de 700 pesquisadores, mais de 640 milhões de pessoas no mundo são consideradas obesas. A pesquisa concluiu que o planeta tem mais pessoas acima do que abaixo do peso, de acordo com uma análise das tendências globais do Índice de Massa Corporal (IMC). Os dados mostram um aumento alarmante nas taxas de obesidade nas últimas quatro décadas, saltando de 105 milhões, em 1975, para 641 milhões em 2014.

Segundo levantamento, um em cada dez homens e uma em cada sete mulheres estão com peso muito acima do que deveriam ter. Por isso, cada vez mais a obesidade se torna um assunto de saúde pública, que deve ser discutido e debatido pelas autoridades em busca de soluções que possam melhorar a qualidade de vida dessas pessoas. No entanto, perder peso não é uma tarefa tão fácil quanto aparenta ser.

A obesidade é uma doença crônica de múltiplas causas, entre elas, genética, ambiental e psicológica. Para a nutricionista comportamental, Patrícia Cruz, especializada no assunto, não se pode culpar o obeso pela doença. É preciso, segundo ela, aprender a tratar a obesidade. “É muito comum escutarmos as pessoas culpando os obesos/gordinhos por estarem comendo um sanduíche, ou até mesmo um brigadeiro. O que não ocorre, por exemplo, se um hipertenso comer sal ou alimentos ricos em sódio”, comenta a especialista.

Alimentação

Segundo Patrícia, o alimento não nutre somente o corpo fisiológico, mas também a alma. Para tratar o excesso de peso/obesidade, não é necessário apenas equilibrar a balança: consumir menos e gastar mais. “É preciso utilizar muitas ferramentas, não só contar calorias, mas perguntar a todo instante, por que ele come o que come. Será que ele tem fome, cansaço, solidão?”, ressalta.

A nutricionista trabalha com a ideia de não planejar dietas restritivas. Primeiro, é preciso organizar horários, cozinhar (quando se gosta dessa atividade), resgatar o prazer de comer sem culpa e retirar da cabeça do paciente a lista de alimentos “bons” e “ruins”, salientando quanto a quantidade é importante. A mudança no hábito alimentar começa no carrinho de compra do supermercado. Saber planejar as compras, preparar os alimentos, organizar o dia alimentar, como horários e alimentos adequados são essenciais. Somente uma educação adequada permitirá que essas pessoas se recuperem e saibam como se prevenir e evitar o peso extra.

Morte súbita assusta

O número apavora: de acordo com o Ministério da Saúde, são registrados no Brasil mil casos de morte súbita decorrentes de arritmia cardíaca por dia, o que representa 45 por hora e quase 2 por minuto. Segundo o cardiologista Carlos Eduardo Duarte, médico especialista em Estimulação Cardíaca e colaborador da Associação Brasileira de Arritmia, Eletrofisiologia e Estimulação Cardíaca Artificial/Departamento de Estimulação Cardíaca Artificial (Abec/Deca), o número de mortes no País, a cada ano, está próximo de 350 mil.

Contudo, por que os diversos avanços na Medicina e, especificamente, na Cardiologia, não impedem o aumento desses números? “A falta de acompanhamento médico preventivo, principalmente nos casos de pacientes mais jovens, e o estilo de vida adotado pelas pessoas hoje em dia são fatores fundamentais para o crescimento da quantidade de casos”, explica Duarte.

Popularmente conhecida como parada cardíaca, a morte súbita decorrente de arritmia acontece até uma hora após o início dos sintomas. “Em 70% dos casos, as ocorrências estão ligadas a doenças coronárias”, afirma o especialista. Este é um dos motivos pelos quais a prevenção é tão importante.

Cuidados

Para não fazer parte das estatísticas, além de avaliações e exames de rotina para detectar anormalidades ou fatores de risco cardíaco, é fundamental estar atento à qualidade de vida, com prática periódica de atividades físicas, alimentação equilibrada e hábitos saudáveis, evitando o tabagismo, o consumo exagerado de bebidas alcoólicas e situações de estresse.

Com o acompanhamento especializado, os pacientes que detectam algum fator de risco contam com ajuda valiosa. “Na Abec/Deca, trabalhamos com um Cardioversor Desfibrilador Implantável [CDI] que vem se mostrando uma medida de tratamento eficiente para pessoas que já se recuperaram de uma parada cardíaca e para pacientes com um risco muito grande de ter uma parada”, explica o médico. Semelhante a um marca-passo, o dispositivo reconhece uma arritmia e pode interrompê-la por meio de choque ou de estimulação rápida – como um desfibrilador –, oferecendo uma proteção extra ao paciente.

Revista Geografia | Ed. 67